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Talvez você tenha visto a ketamina numa notícia e queira entender o que ela é. Talvez um médico tenha falado dela pra tratar uma depressão. Talvez você use em festa, ou já esteja usando mais do que gostaria. Ou talvez seja alguém próximo de você. A ketamina é um remédio importante no hospital e, fora dele, pede cuidado. Aqui a gente explica as duas coisas, sem julgamento, e mostra onde encontrar apoio.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
A ketamina, também escrita cetamina ou quetamina, é um anestésico. Foi criada nos anos 1960 e é usada até hoje em hospitais, em cirurgias, em emergências e pra aliviar dor forte. Ela é chamada de anestésico dissociativo porque, além de tirar a dor, dá a sensação de que a mente se separa do corpo e do ambiente.
Como remédio, no Brasil, ela vem em líquido pra injeção, com nomes comerciais como Ketamin e Cetamin. É um medicamento controlado, que só pode ser usado com receita e acompanhamento. Fora do hospital, costuma circular em pó, cheirado, e também é conhecida como "K" ou "Special K".
Ela também é usada em veterinária, inclusive em animais grandes, e é por isso que tanta gente fala em "remédio de cavalo". A substância é a mesma, mas a ketamina desviada de clínicas veterinárias ou feita fora de qualquer controle pode vir com outra concentração ou misturada com outras coisas.
Nesses usos, quem aplica é um profissional, a dose é calculada pra pessoa e alguém acompanha a pressão, o coração e a respiração o tempo todo.
Em algumas pessoas com depressão que não melhorou com pelo menos dois antidepressivos, ou com pensamentos de morte muito fortes, a ketamina pode aliviar os sintomas em horas ou dias, bem mais rápido que os antidepressivos comuns.
No Brasil, existe a escetamina em spray nasal, aprovada pela Anvisa pra esses casos. Ela é aplicada no consultório ou na clínica, junto com um antidepressivo, e a pessoa fica em observação depois de cada sessão. Alguns psiquiatras também usam a ketamina na veia, fora do que está escrito na bula. Nos dois casos, o efeito costuma diminuir com o tempo e o tratamento pede várias sessões, então não é uma solução de uma vez só.
Esse tratamento não serve pra todo mundo. Pressão alta sem controle, alguns problemas no coração e histórico de psicose, por exemplo, pedem uma avaliação cuidadosa. Usar ketamina por conta própria pra se tratar não é a mesma coisa: sem a dose certa, o ambiente certo e alguém acompanhando, os riscos são outros.
Se você está com depressão e os remédios não estão ajudando, um psiquiatra pode avaliar quais caminhos fazem sentido pra você. Ver como funciona a consulta com psiquiatra a valor social
A ketamina bloqueia um dos receptores do glutamato, uma substância que o cérebro usa pra passar mensagens entre os neurônios. Com isso, a comunicação entre o que o corpo sente e o que a mente percebe fica alterada: a dor diminui, o tempo e o espaço parecem diferentes e a pessoa pode sentir que está fora do próprio corpo.
Esse mesmo mecanismo parece ajudar o cérebro a formar novas conexões, e é isso que os pesquisadores estudam no tratamento da depressão.
Cheirada, o efeito costuma começar em poucos minutos e durar cerca de uma hora, mas a pessoa pode seguir confusa ou cansada por mais algumas horas. Os efeitos mais comuns são:
Em dose alta, a pessoa pode entrar no chamado K-hole: fica desligada do corpo e do ambiente, sem conseguir se mexer ou falar direito. Pra algumas pessoas é uma experiência muito assustadora, com medo, pânico ou sensação de estar morrendo. Também podem aparecer alucinações e pensamentos confusos, principalmente em quem já teve psicose.
Pode causar. O corpo se acostuma rápido, e com o uso frequente o mesmo efeito pede uma dose maior. Algumas pessoas passam a usar cada vez mais vezes e sentem uma vontade forte de usar quando ficam sem. Alguns sinais de que vale conversar com alguém:
Quem para depois de um tempo usando com frequência costuma sentir vontade forte de usar, ansiedade, cansaço, tristeza e dificuldade pra dormir. Em geral não são sintomas perigosos pro corpo, mas podem ser difíceis de atravessar sem apoio. Ler sobre sintomas de abstinência
O uso frequente também pode machucar a bexiga. Os primeiros sinais são dor pra urinar, vontade de urinar o tempo todo e com urgência, sangue na urina e dor na barriga, embaixo do umbigo. Quando o uso para cedo, a bexiga costuma melhorar. Se continuar, o dano pode ficar. Se você notar algum desses sinais, procure um médico e conte que usa ketamina: isso muda o tratamento, e o que você conta fica em sigilo.
Boa parte dos problemas graves com ketamina vem de acidentes. Como ela tira a dor, a coordenação e a noção do que está acontecendo, a pessoa pode cair, se queimar, se afogar ou ficar exposta em lugar inseguro sem conseguir reagir. O risco também cresce muito quando ela é misturada com álcool, calmantes como clonazepam e diazepam, opioides ou GHB, porque a respiração pode ficar lenta demais e a pessoa pode vomitar sem acordar.
Ligue para o SAMU no 192 se a pessoa:
Enquanto espera, não deixe a pessoa sozinha. Se ela estiver desacordada e respirando, deixar de lado ajuda a evitar que engasgue com vômito. Se puder, diga à equipe o que foi usado e se teve mistura. Se ela estiver assustada, mas acordada, um lugar calmo, com pouca luz e pouco barulho, e alguém de confiança falando com calma, costumam ajudar.
Nem toda pessoa que usa quer ou consegue parar agora, e dá pra buscar cuidado do jeito que você está. Usar com menos risco também é um caminho, e se chama redução de danos. Risco menor não é risco zero, mas alguns cuidados fazem diferença:
Usar ketamina com receita, num tratamento ou numa anestesia, não é crime. Fora disso, a ketamina está na lista de substâncias controladas do Ministério da Saúde, a mesma que define o que conta como droga pra Lei de Drogas. Por isso, ter ketamina sem receita pode ser enquadrado nessa lei.
Pra uso pessoal, a lei não prevê prisão: as medidas são advertência, serviços à comunidade ou curso educativo. Vender ou passar pra outra pessoa pode ser tratado como tráfico. A decisão do STF sobre uso pessoal vale só pra maconha. Se você passou por uma abordagem, vale buscar a Defensoria Pública ou um advogado. Entender o que diz a Lei de Drogas
Existe tratamento, e ele não começa necessariamente com internação. Na maior parte das vezes, o cuidado acontece com consultas, terapia, CAPS AD e grupos de apoio. A internação costuma ser indicada em situações mais graves, como risco à vida ou crise de saúde mental.
Não existe um remédio específico pro uso de ketamina. O médico pode ajudar com o que vem junto, como insônia, ansiedade, depressão e os problemas na bexiga. A terapia ajuda a entender o que o uso estava aliviando e a montar outro jeito de lidar com isso. Conversar com psicólogo ou psiquiatra sobre o seu uso não leva a internação, e o que você conta fica em sigilo. Entender como funciona o atendimento pra álcool e outras drogas
Você não controla a decisão da outra pessoa, mas pode fazer diferença. Ajuda falar do que você está vendo, sem acusação, escutar mais do que aconselhar e mostrar os caminhos de apoio quando ela estiver aberta. Brigas, ameaças e humilhação costumam afastar, não aproximar.
Se vocês saem juntos, vale conhecer os sinais de emergência e combinar de não deixar ninguém sozinho. Cuidar de você também conta. O Nar-Anon reúne familiares e amigos de pessoas que usam drogas, sem custo, e uma terapia pra você também é cuidado, mesmo que a outra pessoa não queira buscar ajuda agora.
Na Margem, a sessão com psicólogo custa de R$ 60 a R$ 200, e a consulta com psiquiatra, de R$ 110 a R$ 290. Tudo online, e você escolhe o valor dentro da faixa.
Fora da Margem, o CAPS AD atende pelo SUS sem encaminhamento, a Unidade Básica de Saúde pode fazer o primeiro acolhimento, e os Narcóticos Anônimos têm reuniões presenciais e online, sem custo. Ver serviços públicos presenciais e online Ver grupos de apoio presenciais e online
Se precisa conversar agora, o CVV atende 24 horas pelo 188. Numa emergência de saúde, o SAMU atende no 192.
Se quiser entender melhor o seu momento antes de falar com alguém, dá pra contar o que está acontecendo na Margem.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
Sim. Ketamina, cetamina e quetamina são nomes da mesma substância. A escetamina é uma forma derivada dela, usada no tratamento da depressão.
Não. A ketamina é um anestésico dissociativo e age de outro jeito no cérebro. Mas misturar ketamina com opioides, álcool ou calmantes aumenta o risco de a respiração ficar lenta demais.
Ela é usada pra sedação no hospital, mas não é um calmante como o clonazepam. É um anestésico dissociativo: além de dar sono em dose alta, muda a percepção do corpo e do ambiente.
O ator de Friends morreu em 2023. A autópsia apontou os efeitos agudos da ketamina como causa da morte, com o afogamento entre os fatores. Ele fazia tratamento com ketamina pra depressão, mas a última sessão tinha sido dias antes e não explicava a quantidade encontrada. É um exemplo de como a ketamina perto da água e sem acompanhamento pode ser perigosa.
Pode, principalmente por acidentes, como quedas e afogamento, e quando é misturada com álcool, calmantes ou opioides. Se a pessoa não acorda, respira com dificuldade ou tem convulsão, ligue para o SAMU no 192.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
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