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Talvez um médico tenha receitado um opioide e você queira entender o que está tomando. Talvez você esteja usando mais do que devia, ou sem receita, e já sinta falta quando atrasa uma dose. Ou talvez seja alguém próximo de você. Opioides são remédios importantes contra a dor e, ao mesmo tempo, pedem cuidado. Nada disso é falta de caráter: tem a ver com o efeito da substância no corpo, e existem caminhos pra cada uma dessas situações.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
Opioides são substâncias que agem no cérebro e na medula diminuindo a sensação de dor. Também dão sono, relaxamento e, em algumas pessoas, uma sensação forte de bem-estar.
Alguns vêm da papoula, como a morfina e a codeína. Outros são modificados em laboratório a partir deles, como a oxicodona e a heroína. E outros são feitos inteiramente em laboratório, como o tramadol, a metadona e o fentanil. Opiáceo é o nome dos que vêm direto da papoula. Opioide é o nome do grupo todo.
A maioria é remédio, vendido só com receita especial, que fica retida na farmácia. A heroína não tem uso médico no Brasil.
| Opioide | Força | Onde costuma aparecer |
|---|---|---|
| Codeína | Mais fraco | Remédios pra dor e pra tosse, muitas vezes junto com paracetamol |
| Tramadol | Mais fraco | Remédios pra dor moderada |
| Morfina | Forte | Dor intensa, como depois de cirurgia, em câncer e em cuidados paliativos |
| Oxicodona | Forte | Dor intensa ou que dura muito tempo |
| Metadona | Forte | Dor intensa que dura muito tempo e tratamento de quem quer parar outros opioides |
| Fentanil | Muito forte, muitas vezes mais que a morfina | Anestesia e dor intensa, em injeção ou adesivo |
| Heroína | Muito forte | Não tem uso médico no Brasil |
Mais fraco não quer dizer sem risco. Codeína e tramadol também podem causar dependência e abstinência, principalmente em doses altas ou por muito tempo.
Todo opioide é um analgésico, mas nem todo analgésico é um opioide. Dipirona, paracetamol e ibuprofeno são analgésicos comuns: aliviam a dor de outro jeito, não dão a sensação de bem-estar dos opioides e não causam esse tipo de dependência. Isso não quer dizer que não tenham riscos. Em dose alta, o paracetamol pode fazer mal ao fígado, por exemplo.
Alguns remédios juntam os dois num comprimido só, como paracetamol com codeína. Se você não sabe se o seu remédio tem opioide, a bula e o farmacêutico respondem. Uma pista: os que têm costumam exigir receita especial.
Pra dor moderada e intensa: depois de cirurgia, fratura ou queimadura, em câncer, em cuidados paliativos e em algumas dores que duram muito tempo. Também são usados na anestesia e, em alguns casos, contra tosse.
Usados com acompanhamento médico, são seguros e muito importantes. O medo de opioide também faz mal: tem gente que deixa de tratar uma dor forte por receio de ficar dependente. Se esse é o seu caso, vale conversar sobre isso com quem receitou.
Além de aliviar a dor, os opioides costumam causar:
O efeito mais perigoso é a respiração ficar lenta demais. Esse risco aumenta com doses altas, com opioides mais fortes e quando eles são misturados com álcool, calmantes como clonazepam e diazepam, remédios pra dormir ou outros opioides.
Usar opioide por alguns dias pra uma dor forte, com acompanhamento médico, raramente leva à dependência. O risco cresce com o uso por semanas ou meses, com doses altas e quando o remédio passa a ser usado pra outras coisas além da dor.
Com o uso contínuo, o corpo se acostuma e o mesmo efeito pede uma dose maior. Isso se chama tolerância, e pode acontecer com qualquer pessoa que usa por um tempo. Ter tolerância não quer dizer, sozinho, que o uso virou um problema. Alguns sinais de que vale conversar com alguém:
Quando alguém que usa opioide com frequência para ou diminui de repente, o corpo reage. Os sintomas costumam começar algumas horas depois da última dose, e os mais fortes passam em cerca de uma semana. O sono e a vontade de usar podem levar mais tempo.
A abstinência de opioides é muito desconfortável, mas não costuma ser perigosa pro corpo. Vômito e diarreia fortes podem desidratar, e o médico pode indicar remédios que aliviam. Se você toma opioide receitado, não pare nem mude a dose por conta própria: quem receitou pode diminuir aos poucos com você. Se você está grávida, converse com um profissional antes de mudar qualquer coisa, porque parar de repente também afeta o bebê.
Se aparecer uma tristeza muito pesada ou pensamentos de morte, vale buscar um profissional o quanto antes. Se precisa conversar agora, o CVV atende 24 horas pelo 188. Ler sobre sintomas de abstinência
Nesses casos, ligue para o SAMU no 192 na hora e, se puder, diga o que foi usado. Os serviços de emergência têm um remédio, a naloxona, que pode reverter a overdose de opioide, por isso ligar rápido faz diferença. Enquanto espera, chame a pessoa pelo nome e não deixe ela sozinha. Se ela estiver desacordada e respirando, deixar de lado ajuda a evitar que engasgue com vômito.
Mesmo que a pessoa melhore, ela precisa ser avaliada: o efeito de alguns opioides dura mais do que o do remédio que reverte a overdose.
Nem toda pessoa que usa quer ou consegue parar agora, e dá pra buscar cuidado do jeito que você está. Usar com menos risco também é um caminho, e se chama redução de danos. Risco menor não é risco zero, mas alguns cuidados fazem diferença:
Existe tratamento, e ele não começa necessariamente com internação. Na maior parte das vezes, o cuidado acontece com consultas, terapia, CAPS AD e grupos de apoio. A internação costuma ser indicada em situações mais graves, como risco à vida ou crise de saúde mental.
Pra opioides, existem remédios que ajudam a passar a abstinência e a evitar recaídas. Alguns, como a metadona e a buprenorfina, ocupam o lugar do opioide de forma controlada e são diminuídos aos poucos ou mantidos por um tempo. No Brasil, esse tratamento ainda não está disponível em todo lugar, e quem avalia se faz sentido é o médico. Ver como funciona a consulta com psiquiatra a valor social
Se o uso começou por causa de uma dor, a dor também precisa de cuidado. Parar o remédio sem tratar o que dói costuma não se sustentar. A terapia ajuda com o que vem junto, como ansiedade, insônia e o que o uso estava aliviando. Conversar com psicólogo ou psiquiatra sobre o seu uso não leva a internação, e o que você conta fica em sigilo. Entender como funciona o atendimento pra álcool e outras drogas
Você não controla a decisão da outra pessoa, mas pode fazer diferença. Ajuda falar do que você está vendo, sem acusação, escutar mais do que aconselhar e mostrar os caminhos de apoio quando ela estiver aberta. Brigas, ameaças e humilhação costumam afastar, não aproximar.
Vale também conhecer os sinais de overdose e o que fazer, principalmente se a pessoa mistura opioide com álcool ou calmantes. Cuidar de você também conta. O Nar-Anon reúne familiares e amigos de pessoas que usam drogas, sem custo, e uma terapia pra você também é cuidado, mesmo que a outra pessoa não queira buscar ajuda agora.
Na Margem, a sessão com psicólogo custa de R$ 60 a R$ 200, e a consulta com psiquiatra, de R$ 110 a R$ 290. Tudo online, e você escolhe o valor dentro da faixa.
Fora da Margem, o CAPS AD atende pelo SUS sem encaminhamento, a Unidade Básica de Saúde pode fazer o primeiro acolhimento, e os Narcóticos Anônimos têm reuniões presenciais e online, sem custo. Ver serviços públicos presenciais e online Ver grupos de apoio presenciais e online
Se precisa conversar agora, o CVV atende 24 horas pelo 188. Numa emergência de saúde, o SAMU atende no 192.
Se quiser entender melhor o seu momento antes de falar com alguém, dá pra contar o que está acontecendo na Margem.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
Os mais comuns são codeína, tramadol, morfina, oxicodona, metadona e fentanil, que são remédios vendidos com receita especial, e a heroína, que não tem uso médico no Brasil.
Entre os mais usados, o fentanil é o mais forte, muitas vezes mais que a morfina. Morfina, oxicodona e metadona também são fortes. Codeína e tramadol são os mais fracos, mas também podem causar dependência.
Todo opioide é um analgésico, mas nem todo analgésico é opioide. Dipirona, paracetamol e ibuprofeno são analgésicos comuns e não causam o mesmo tipo de dependência. Os opioides são mais fortes e pedem receita especial.
Não. Tramal é um dos nomes comerciais do tramadol, que é um opioide mais fraco que a morfina. Mesmo assim, pode causar dependência e abstinência, e a dose deve ser a que o médico receitou.
Pode, principalmente em dose alta ou misturado com álcool e calmantes, porque a respiração fica lenta demais. Se a pessoa não acorda, respira muito devagar ou está com os lábios arroxeados, ligue para o SAMU no 192.
Você escolhe o valor dentro dessa faixa, sem precisar justificar
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